terça-feira, 18 de junho de 2013

Diário de bordo de um revolucionário

        Era uma tarde ainda ensolarada e um montante de jovens e adultos (também jovens) caminhavam em direção ao centro da cidade cantando o hino nacional. Foi a primeira vez que foi visto tanta gente realizando o mesmo ato e ainda com o mesmo brilho nos olhos. Algumas polícias circulavam por ali no intuito de manter a civilidade entre os protestantes. Sim. Era um protesto em favor de um país mais justo e mais do povo. Os jovens gritavam o hino e se abraçavam junto às faixas e cartazes que ali estavam em suas mãos. Também se abraçavam entre si. Esbravejavam o ‘’Pátria amada Brasil!’’ e baixavam a cabeça no ‘’ Deitado eternamente em berço esplêndido’’. Alguns artistas da época compareceram nestes clamores a uma nação menos ditatorial e hipócrita e também se abraçavam à bandeira nacional. Jornalistas e comunicadores, que tentavam congelar aquele momento em fotografias, filmagens e textos, sorriam um sorriso de finalmente uma matéria de orgulho pátrio. Todas aquelas caras pintadas e camisas vermelhas, brancas e pretas simbolizavam um país que estava no amadurecimento e com os olhos quase abertos.
        Os jovens, que também detinham flores nas mãos, ajoelharam-se diante de todos aqueles policiais que detinham cassetetes e armas de fogo. Não demorou muito, o caos estava instalado no cruzamento de uma avenida principal com outra qualquer. Pouco importava onde, o que importava era o ato que estava acontecendo naquele momento: policiais prendendo e batendo em manifestantes e jornalistas. Pra defender alguém? Não. Apenas para mostrar que aquele eleito pelo próprio povo atingiu um grau muito maior que o próprio povo. Agora não 1 serve a 1 milhão, mas 1 milhão serve a apenas 1.

1964? Não, 2013.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

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      É engraçado como o ser humano adquire valores específicos para as tantas redes sociais criadas. Por exemplo, na época do orkut, o fato do orkuteiro ter muito amigos era sinônimo de popularidade e de inveja. Outro fator é o usuário ter muitos scraps (as vezes as pessoas mandavam recados umas pras outras apenas para colecionar estes no scrapbook e pediam a mesma quantidade em troca). No twitter não seria diferente. Você reconhece se o twitteiro é popular pela sua quantidade de seguidores ou pelas suas listas. É cômico o fato de que essas pessoas que têm uma quantidade imensa se seguidores são as que mais digitam frases construtivas do tipo: '' AH! Acabei de acordar.'' (ok, e?) Facebook ! Foi um BOOM! Todos deixaram o orkut de lado e criaram suas contas na nova rede social. Neste momento era criado um próprio preconceito por quem ''ainda'' tinha orkut. Literalmente uma descriminação rede socialista (se pudermos dizer assim). Os valores? No facebook é assim, você não escreve no scrapbook; você escreve mo mural do seu amigo. Você não precisa mais digitar que ''gostou de algo''; você apenas ''curte'' (o que, particularmente, acho isso sensacional, pois evita esse blá-blá-blá todo), porém não curta o que você posta no seu mural, por favor. Você tem poucas pessoas no facebok? Parabéns! Você é um cult que não se prende a rede sociais, nem é nenhum viciado em internet (será?).
      Agora foi lançada uma guerra entre as redes sociais. O orkut criou a opção ''gostei'' no seu layout, o que não deixa de ser uma apelação para os seus (mínimos) usuários.

      O que me deixa mais reflexiva, é o fato de que o ser humano se torna algo extremamente descartável, que, simplesmente, se molda a peculiaridades criadas pelos próprios. Claro que existe aquela ''nata'', que arbitra no que é pertinente e no que não é, mas nessa época cybernética, criar um ''estilo'' é fácil. Fato é que você estar comendo ou escovando os dentes interessa a, pelo menos, 1/100.000 da população do mundo.

domingo, 30 de outubro de 2011

não às letras, sim ao vazio.

Ultimamente estou em uma fase que me força a não brigar com palavras, mas sim com o papel. A facilidade da pronúncia e ter o aparato vocal como as armas na construção de ideias seria mais fácil. Palavras neste momento são minha armas. Alguns descrevem ''Lutar com palavras'' como sinônimo de inspiração, osmose de ideias, afloramento da poesia. No meu caso, luto com o papel, com o borrão, com o guardanapo, com o word, office etc. Maximizando, luto contra o ''descampado¹'' 


¹Denominação por ANDRADE, Carlos Drumond de.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Feshta

Dava meio-dia e o despertador já tinha parado de tocar. Ele simplesmente cansou de apitar e não ser jogado no chão ou desligado com batidinhas. O relógio, ainda alarmando a hora, não passava agora de mais um peça do quarto de Bia. Os últimos goles de cerveja (gelada) de ontem foram absorvidos pelas almofadas jogadas no chão e os últimos Lucky Strikes se encontravam, inusitavelmente, no box do banheiro. Os olhos apenas captavam uma parte de seu quarto, onde havia escrito na parede LIBERDADE - letras garrafais ''não suas''. Sentia medo de desviar os olhos e avistar seu quarto em séria situação, já que noite passada lembrava apenas do seu dinheiro gasto. Então fingiu estar dormindo e quem sabe sonhando. Simulou seu acordar mais uma vez, porém falho. O quarto tinha o mesmo cheiro de sábado e o LIBERDADE parecia maior.
Era domingo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O jardim de Poli

Ela esperava no seu jardim o tão sonhado dia. O dia que seria escolhida para viver uma vida junto com sua ''escolhida'' família. Pois então a esperar. Todos diziam que sua hora estava a chegar, e ela não parava na terra de felicidade. Essa felicidade que faz-nos parecer pipocas dentro da panela, até a hora de sermos devorados e amados pelo gosto salgado e atroz da manteiga. Pois bem. O dia chegou. Aprontou-se toda com seu melhor perfume; aquele guardado há um tempo debaixo das laranjeiras, e então pôs seu laço vermelho da cabeça, esperando um certo alguém passar e se encantar com tal magra criatura de olhos amanteigados; aquela manteiga da pipoca... Esperou, esperou... Quando o dia estava a terminar, já arrumava as coisas pronta para voltar ao lar, ouvem-se gritos de certa família que chegara atrasada. A família parou, respirou, olhou para ela. Seus cuidadores a podaram como uma flor: sem espinhos, sem folhas. Ela estava ali bruta, nada lapidada ; um ano. A família queria ela, daquele jeito, bruta, amanteigada e vermelha. Desse jeito como os olhos a viam e a admiravam. Poli, finalmente, foi adotada. Chegou o grande dia em que chegaria na sua ''casa perpétua'' e se educaria à moda daquele ambiente e daquela família. Tudo certo. Apenas é esquecido que os animais necessitam de condicionamento, para assim, respeitar as regras da boa casa. Dois dias, após seu fabuloso destino, Poli é devolvida, tal qual como foi adotada. Atrasada ao som de gritos, porém gritos de arrependimento. Não possuía mais cheiro das laranjeiras, nem seu laço vermelho suportou tal atrocidade. Seus olhos foram dominados, não mais pelo sal da pipoca, mas de um amargo veneno que apenas ela tinha experimentado. Não comia, não aceitava mais ser lapidada para outra família, nem escondia mais seu perfume nas laranjeiras, que um dia floresceram; agora, não mais.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

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Olhos ainda fechados: 1,2,3. Espelho.
Charlene se olhava e se via. úi. Peitos crescendo, pontos em alto relevo no rosto, estava para tirar o aparelho fixo logo logo. Deixaria para trás aquelas idas psicodélicas ao detistas, em que ia apertar um troço metálico em sua boca. Enquanto ao sexo.. uh... nojo total! pêlos, pêlos e pêlos. COMO ASSIM?
O espelho era algo como uma mãe... contava tudo. Porém, a única diferença da mamãe, sempre calado. Nenhum piu, nenhum palpite, nenhum pitaco. Era melhor assim. Outra coisa... aquela coisa que se coloca na calçinha pra evitar o sangue molhar. Que vem de mês em mês? Irritante. Era absolutamente um saco isso. Cheia de limitações, cheia de mudanças, cheia de descobertas. ''Os meninos não pareciam mais da mesma idade''. Os amigos de sala, como gostava de chamar, não coleguinhas como a mamãe dizia, pareciam um bando de crianças que AINDA brincavam de ''tiros'', carrinho e pega-pega. Charlene e as meninas eram outra coisa... Sempre diziam que namorar meninos mais velhos era o que há. Difícil essa puberdade que quanto mais se entra, mais se estranha.
E mais se descobre e pensa como seria a vida lá fora.
Lá fora seria o mundo, que...

3,2,1.
- Vamos pra escola?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Dever de casa do meu irmão

Um camponês se aproxima dos prédios e casas destruídos. Sua primeira vez na cidade o faz pensar em como queria ter feito isso antes... antes do ocorrido. Nunca tinha ido ao mar... pois então o mar veio até seu destino e engoliu o que via pela frente. Tinha visto apenas terra em sua vida... pois então a terra abalou-se e tremeu até engolir o que via pela frente.
O que escutava naquela hora eram números, apenas números. Pensava que quando chegasse na metrópole ouviria pops, rocks e aquela modernidade musical. O que ouviu? Marchas fúnebres. Então, ele cerrou os olhos, já cerrados pela genética, e chorou.