Era uma tarde ainda
ensolarada e um montante de jovens e adultos (também jovens) caminhavam em
direção ao centro da cidade cantando o hino nacional. Foi a primeira vez que foi
visto tanta gente realizando o mesmo ato e ainda com o mesmo brilho nos olhos.
Algumas polícias circulavam por ali no intuito de manter a civilidade entre os
protestantes. Sim. Era um protesto em favor de um país mais justo e mais do
povo. Os jovens gritavam o hino e se abraçavam junto às faixas e cartazes que
ali estavam em suas mãos. Também se abraçavam entre si. Esbravejavam o ‘’Pátria
amada Brasil!’’ e baixavam a cabeça no ‘’ Deitado eternamente em berço
esplêndido’’. Alguns artistas da época compareceram nestes clamores a uma nação
menos ditatorial e hipócrita e também se abraçavam à bandeira nacional.
Jornalistas e comunicadores, que tentavam congelar aquele momento em
fotografias, filmagens e textos, sorriam um sorriso de finalmente uma matéria
de orgulho pátrio. Todas aquelas caras pintadas e camisas vermelhas, brancas e
pretas simbolizavam um país que estava no amadurecimento e com os olhos quase
abertos.
Os jovens, que também
detinham flores nas mãos, ajoelharam-se diante de todos aqueles policiais que
detinham cassetetes e armas de fogo. Não demorou muito, o caos estava instalado
no cruzamento de uma avenida principal com outra qualquer. Pouco importava
onde, o que importava era o ato que estava acontecendo naquele momento:
policiais prendendo e batendo em manifestantes e jornalistas. Pra defender
alguém? Não. Apenas para mostrar que aquele eleito pelo próprio povo atingiu um
grau muito maior que o próprio povo. Agora não 1 serve a 1 milhão, mas 1 milhão
serve a apenas 1.
1964? Não, 2013.
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