terça-feira, 18 de junho de 2013

Diário de bordo de um revolucionário

        Era uma tarde ainda ensolarada e um montante de jovens e adultos (também jovens) caminhavam em direção ao centro da cidade cantando o hino nacional. Foi a primeira vez que foi visto tanta gente realizando o mesmo ato e ainda com o mesmo brilho nos olhos. Algumas polícias circulavam por ali no intuito de manter a civilidade entre os protestantes. Sim. Era um protesto em favor de um país mais justo e mais do povo. Os jovens gritavam o hino e se abraçavam junto às faixas e cartazes que ali estavam em suas mãos. Também se abraçavam entre si. Esbravejavam o ‘’Pátria amada Brasil!’’ e baixavam a cabeça no ‘’ Deitado eternamente em berço esplêndido’’. Alguns artistas da época compareceram nestes clamores a uma nação menos ditatorial e hipócrita e também se abraçavam à bandeira nacional. Jornalistas e comunicadores, que tentavam congelar aquele momento em fotografias, filmagens e textos, sorriam um sorriso de finalmente uma matéria de orgulho pátrio. Todas aquelas caras pintadas e camisas vermelhas, brancas e pretas simbolizavam um país que estava no amadurecimento e com os olhos quase abertos.
        Os jovens, que também detinham flores nas mãos, ajoelharam-se diante de todos aqueles policiais que detinham cassetetes e armas de fogo. Não demorou muito, o caos estava instalado no cruzamento de uma avenida principal com outra qualquer. Pouco importava onde, o que importava era o ato que estava acontecendo naquele momento: policiais prendendo e batendo em manifestantes e jornalistas. Pra defender alguém? Não. Apenas para mostrar que aquele eleito pelo próprio povo atingiu um grau muito maior que o próprio povo. Agora não 1 serve a 1 milhão, mas 1 milhão serve a apenas 1.

1964? Não, 2013.

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