Olhos ainda fechados: 1,2,3. Espelho.
Charlene se olhava e se via. úi. Peitos crescendo, pontos em alto relevo no rosto, estava para tirar o aparelho fixo logo logo. Deixaria para trás aquelas idas psicodélicas ao detistas, em que ia apertar um troço metálico em sua boca. Enquanto ao sexo.. uh... nojo total! pêlos, pêlos e pêlos. COMO ASSIM?
O espelho era algo como uma mãe... contava tudo. Porém, a única diferença da mamãe, sempre calado. Nenhum piu, nenhum palpite, nenhum pitaco. Era melhor assim. Outra coisa... aquela coisa que se coloca na calçinha pra evitar o sangue molhar. Que vem de mês em mês? Irritante. Era absolutamente um saco isso. Cheia de limitações, cheia de mudanças, cheia de descobertas. ''Os meninos não pareciam mais da mesma idade''. Os amigos de sala, como gostava de chamar, não coleguinhas como a mamãe dizia, pareciam um bando de crianças que AINDA brincavam de ''tiros'', carrinho e pega-pega. Charlene e as meninas eram outra coisa... Sempre diziam que namorar meninos mais velhos era o que há. Difícil essa puberdade que quanto mais se entra, mais se estranha.
E mais se descobre e pensa como seria a vida lá fora.
Lá fora seria o mundo, que...
3,2,1.
- Vamos pra escola?
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